Pronto.
As últimas barreiras do bom senso consumista neste corpitcho foram quebradas ontem.
R$ 200 em rímel (violeta), delineador (uva), gloss (3D) e sombra Bourjois. A sombra, aliás, nem Bourjois é, é duma outra marca que eu nunca vi mais gorda e chama-se Art Deco (mas tem uma textura que benzadeus; tem de valer os quase R$ 25 numa embalagem quase do tamanho dum chip de telefone).
Tudo por causa dum maldito presente.
sábado, 19 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
Assalto
Segunda vez em dez dias.
Vem o pilantrinha imundo, tenta acompanhar o passo. Não escuto o começo do discurso, mas termina com "só me passa o telefone e o dinheiro, senão eu te dou tiro, te furo toda, e duvida pra tu ver só. Me dá o que tem no bolso senão te furo."
Tiro a mão do bolso. "Tenho nada não, magrão. Tenho só o remédio do nariz."
"Deixa eu ver."
Nisso eu ganho tempo, e o imundinho enfia a mão no bolso esquerdo - o que tem a pen drive e a chave. "Tô te dizendo, mané, só o remédio e a chave de casa."
"Deixa eu ver o outro."
Aí já estou perto o suficiente pra chamar a mendiga: "ô tia, olha aqui o malandro tentando me assaltar!"
O guri enfia a pen drive na minha mão e sai correndo, se desculpando. Era só uma brincadeira.
Vem o pilantrinha imundo, tenta acompanhar o passo. Não escuto o começo do discurso, mas termina com "só me passa o telefone e o dinheiro, senão eu te dou tiro, te furo toda, e duvida pra tu ver só. Me dá o que tem no bolso senão te furo."
Tiro a mão do bolso. "Tenho nada não, magrão. Tenho só o remédio do nariz."
"Deixa eu ver."
Nisso eu ganho tempo, e o imundinho enfia a mão no bolso esquerdo - o que tem a pen drive e a chave. "Tô te dizendo, mané, só o remédio e a chave de casa."
"Deixa eu ver o outro."
Aí já estou perto o suficiente pra chamar a mendiga: "ô tia, olha aqui o malandro tentando me assaltar!"
O guri enfia a pen drive na minha mão e sai correndo, se desculpando. Era só uma brincadeira.
domingo, 13 de julho de 2008
Oh, Carol
É tu mesmo, guria.
A quem minha mãe chama de "minha filhinha carioca".
Que chama minha mãe de "mamy dos pampas".
Que me traz problemas porque todo dia descubro um presente novo que gostaria de te dar. Eu queria poder te dar o mundo, mas ele não cabe no bolso. Então dou o que posso: idéias, autores, sonhos.
Não preciso te dar compreensão, porque não preciso te compreender. Compreender demanda esforço, e não o faço para saber exatamente o que te ocorre. Talvez seja sinergia, energia, alegria, sintonia. Paz de espírito. Olho no olho, sisters in arms, abraço humano, gente de verdade que sofre e que ri, por si e pelo resto do mundo que não entende e não sabe o real sentido de ser honesto e sincero. Aos gritos, aos sussurros, às gargalhadas, aos soluços. Entre maus entendidos e subentendidos, entre o sol e a lua que nos premiam em Copacabana, entre taças de espumante, tulipas de chope e cuias de chimarrão, entre toda essa vida e contra tudo que é ruim.
Tamo junta na parada. É isso.
A quem minha mãe chama de "minha filhinha carioca".
Que chama minha mãe de "mamy dos pampas".
Que me traz problemas porque todo dia descubro um presente novo que gostaria de te dar. Eu queria poder te dar o mundo, mas ele não cabe no bolso. Então dou o que posso: idéias, autores, sonhos.
Não preciso te dar compreensão, porque não preciso te compreender. Compreender demanda esforço, e não o faço para saber exatamente o que te ocorre. Talvez seja sinergia, energia, alegria, sintonia. Paz de espírito. Olho no olho, sisters in arms, abraço humano, gente de verdade que sofre e que ri, por si e pelo resto do mundo que não entende e não sabe o real sentido de ser honesto e sincero. Aos gritos, aos sussurros, às gargalhadas, aos soluços. Entre maus entendidos e subentendidos, entre o sol e a lua que nos premiam em Copacabana, entre taças de espumante, tulipas de chope e cuias de chimarrão, entre toda essa vida e contra tudo que é ruim.
Tamo junta na parada. É isso.
sábado, 12 de julho de 2008
Eu te amo
Mancebos de todas as praças: por gentileza, não façam mau uso dessa expressão.
Eu te amo.
Amar é um verbo tão carregado de mil coisas que não comporta uma leviandade, uma brincadeira, uma distração.
Um "eu te amo" dito de graça numa sexta feira à noite é capaz de destruir as expectativas de uma moça para o próximo mês. Ela ficará esperando pelo amor, em forma de telefonema, de e-mail, de flores furtivas entregues pelo mocinho que nada sabe dos amores que carrega.
Portanto, rapazes, usem o verbo "amar" com toda a cautela. E toda a razão que é permitida a quem ama.
Eu te amo.
Amar é um verbo tão carregado de mil coisas que não comporta uma leviandade, uma brincadeira, uma distração.
Um "eu te amo" dito de graça numa sexta feira à noite é capaz de destruir as expectativas de uma moça para o próximo mês. Ela ficará esperando pelo amor, em forma de telefonema, de e-mail, de flores furtivas entregues pelo mocinho que nada sabe dos amores que carrega.
Portanto, rapazes, usem o verbo "amar" com toda a cautela. E toda a razão que é permitida a quem ama.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Satolep
Sexta-feira, dia do filet mignon da classificação: literatura.
Não tem muito o que discutir. Números prontos, assuntos prontos, o cérebro pode dormir mais um pouco.
Cheguei entorpecida pelo inverno de dez da manhã na Baía, vento e sol meio morno, um convite ao nosso popular "lagartear".
Meio torturante entrar no salão. Aquele barulho, vrrrrrrrrrrrr, incontáveis máquinas gigantes de ar condicionado, revirando o ar poeirento dos séculos que pairam sobre nossas cabeças. E nenhum raio de sol lá dentro até as três e meia da tarde, quando ele invade sem cerimônia por uma fresta, nos obriga a uma pausa, desafia o trabalho na tela do computador.
Sento e pego a parte que me cabe no latifúndio literário, dividido entre os nove classificadores. Não reparo no que estou fazendo. É automático. 808.899282, literatura infanto-juvenil brasileira. B869.3, ficção brasileira. B869.1, poesia brasileira. 882, teatro grego.
Até que ele aparece. Primeiro à minha visão, depois ao meu tato, depois e para sempre no meu olfato.
Satolep.
O prometidíssimo segundo livro do Vitor Ramil.
Cheguei a dar um gritinho com aquela capa azul lavanda, o formato incomum, mais estreito, mais alto. Apertei o volume contra o peito.
Minha chefe ouviu e riu. "Lembrei do nome", disse.
Apertei novamente, ninei, finalmente abri o livro. O cheiro do papel novo, recém impresso, aquele cheiro seco e cinza que o couché nunca alcança. A brochura nova, estalando na minha mão. Aquela prosa, ansiosamente esperada. O palíndromo chamando. Satolep. O tempo também chama. Preciso produzir.
Ou seria melhor largar tudo e ir lagartear com Vitor?
(É claro que seria. Só quem entende a estética do frio sabe o por quê.)
Na memória, a lembrança dos primeiros parágrafos, das primeiras páginas, que me aguardam assim que eu comprar o livro. Nas mãos, o resto da produção do dia, implacável e absorvente.
Enquanto isso, alterno entre Satolep noite, no meio de uma guerra civil e as Memórias dos bardos das ramadas...
Não tem muito o que discutir. Números prontos, assuntos prontos, o cérebro pode dormir mais um pouco.
Cheguei entorpecida pelo inverno de dez da manhã na Baía, vento e sol meio morno, um convite ao nosso popular "lagartear".
Meio torturante entrar no salão. Aquele barulho, vrrrrrrrrrrrr, incontáveis máquinas gigantes de ar condicionado, revirando o ar poeirento dos séculos que pairam sobre nossas cabeças. E nenhum raio de sol lá dentro até as três e meia da tarde, quando ele invade sem cerimônia por uma fresta, nos obriga a uma pausa, desafia o trabalho na tela do computador.
Sento e pego a parte que me cabe no latifúndio literário, dividido entre os nove classificadores. Não reparo no que estou fazendo. É automático. 808.899282, literatura infanto-juvenil brasileira. B869.3, ficção brasileira. B869.1, poesia brasileira. 882, teatro grego.
Até que ele aparece. Primeiro à minha visão, depois ao meu tato, depois e para sempre no meu olfato.
Satolep.
O prometidíssimo segundo livro do Vitor Ramil.
Cheguei a dar um gritinho com aquela capa azul lavanda, o formato incomum, mais estreito, mais alto. Apertei o volume contra o peito.
Minha chefe ouviu e riu. "Lembrei do nome", disse.
Apertei novamente, ninei, finalmente abri o livro. O cheiro do papel novo, recém impresso, aquele cheiro seco e cinza que o couché nunca alcança. A brochura nova, estalando na minha mão. Aquela prosa, ansiosamente esperada. O palíndromo chamando. Satolep. O tempo também chama. Preciso produzir.
Ou seria melhor largar tudo e ir lagartear com Vitor?
(É claro que seria. Só quem entende a estética do frio sabe o por quê.)
Na memória, a lembrança dos primeiros parágrafos, das primeiras páginas, que me aguardam assim que eu comprar o livro. Nas mãos, o resto da produção do dia, implacável e absorvente.
Enquanto isso, alterno entre Satolep noite, no meio de uma guerra civil e as Memórias dos bardos das ramadas...
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Hurricane
Fácil - fácil não, melhor - quando são os outros que enunciam no lugar da gente.
Primeiro, foi "o masculino é muito negativo na sua vida, né?"
E hoje, "tenho a impressão que a sua vida inteira foi um furacão. Você não teve nem tempo nem oportunidade de assimilar, de trabalhar sentimento nenhum".
Yeah, here comes the story of the Hurricane!
Primeiro, foi "o masculino é muito negativo na sua vida, né?"
E hoje, "tenho a impressão que a sua vida inteira foi um furacão. Você não teve nem tempo nem oportunidade de assimilar, de trabalhar sentimento nenhum".
Yeah, here comes the story of the Hurricane!
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