quinta-feira, 2 de julho de 2009

Breaking the habit

Chegando em casa seis da tarde, morta de cansaço como de costume.
O porteiro me vê e cata um pacote do Submarino.
Penso cá com os meus botões: "mas quando foi que comprei isso? o que é isso? tô piorando... não lembro mais das compras que faço..."
Aí olho o pacote: é pruma vizinha chamada Luana.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Inveja

Ah, se inveja matasse... eu já estava até cremada a essa hora.
Que inveja que tenho de quem dorme até com baile funk no morro do lado...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Too young



RIP, Michael.
Estou chocada. E triste.
E dançarei hoje em homenagem ao best seller de todos os tempos.

No pain, no gain

Viagem pra Bonito? Que bonito é.
Mas nem pense em entrar naquele teco-teco sem tomar a injeção contra febre amarela, mocinha.

The power of love

Descubro com melancolia que meu egoísmo não é tão grande assim, pois dei ao outro o poder de me magoar.
Menininha, foi com carinho que lhe dei esse poder. É com melancolia que a vejo usá-lo.


Só mais uma amostra da pena de Saint Exupéry, poesia até mesmo escrevendo cartas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Another day in paradise

Apesar de acontecer num horário bem esdrúxulo, minha sesta não tem me impedido de dormir à noite. Não maculou as adoráveis sete horas seguidas que dormi de sexta pra sábado, um evento que há muito não acontecia. Mas ontem, nem a pobrezinha da sesta ocorreu da maneira que eu esperava.
Já estava cansada do dia inteiro e achei então que um soninho viria bem... doce ilusão. Dormi pouco, e mal. E acordei mais desconfortável ainda. Pelo menos não sofro de tédio: sempre tenho o que fazer em casa. E um dos livros que eu mais queria ler estava me esperando na cama: Dewey (o gato, não as tabelas - se bem que talvez elas me fizessem dormir!)
Depois do banho, depois do ritual de beleza que adquiri há pouco, depois de todos os cremes, loções, remedinhos e que-tais, abri o Dewey. Tentei fechá-lo lá pela uma da manhã, mas preferi voltar a abrir o livro ao invés de ficar fritando na cama. E assim fui, até as quatro da manhã, até a página 120, quando a autora descobre mais um problema grave de saúde que a obriga a fazer uma mastectomia dupla. E, como era de se esperar, Dewey estava lá com ela.
E foi então que aconteceu.
Meu rosto se contraiu todinho enquanto os olhos marejavam e lágrimas mornas escorriam em silêncio. Não era o meu (já tradicional) choro desesperado, convulsivo, quase histérico, mais grito do que choro. Também não era o (ultimamente bem comum) choro automático, de lágrimas que pulam dos olhos como presos se libertando.
Era o choro do cansaço.
Cansaço do dia todo e da vida. Cansaço da cólica, da dor de cabeça, da dor de estômago que os próprios analgésicos estavam criando, do desconforto, da solidão. Senti-me sozinha e senti falta do toque de alguém - o toque que Dewey deu, que meus gatos me davam, que só os gatos sabem dar e que tanto me faz falta.
De repente eu estava lá. Não tinha feito nenhuma cirurgia, mas tinha cicatrizes. De repente, todos os adjetivos desabaram. Caíram sobre mim o vício, o alcoolismo. A bobeira, a mentira... terminando com o cinismo, a hipocrisia sonsa, o discurso religioso, o fato de ser "do bem" como um demérito.
E então ficou tudo escuro. Mas já era tarde: a manhã se insinuava, lenta e clara, pela fresta da cortina. Mais um dia no país dos insones solitários na metrópole se anunciando.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

You can´t always get what you want

Saiu na Época esses tempos uma bela matéria com o Ferreira Gullar falando da dor de se ter um filho esquizofrênico (e bem o sabe ele, que tem dois). No poema Internação, ele diz que "o vento no rosto é sonho".
Tristes tempos de doenças mentais, de doenças emocionais, de dores que não passam, de solidão, de abandono, de negação, de preconceito.

***
E o House continua ganhando espaço nas minhas preferências e no meu caderninho de pérolas.
Ele cura o atual marido da ex, e ela se rende. Diz que não o esqueceu. Que ele é brilhante, engraçado, surpreendente, sexy (menas, menas)... mas ela não pode ficar com ele. Com ele, ela estava sozinha. Já com o atual marido, ela tem espaço.
Sintomático, o diálogo.
House vai pra casa beber seu uísque cowboy e tentar andar sem a bengala - a maldita bengala que compensa o músculo, as dores permanentes, a vida a que aquela mulher o condenou a viver em troca de se bastar.
Não consegue, e cai. E acha no bolso o único companheiro, o alívio imediato, a fuga para a dor e a solidão na forma branca e quase cilindrica do vício.