Eu era a única pessoa sentada no café, esperando meus pãezinhos de queijo. Nos quatro minutos que a fornada ia levar pra sair, as outras mesas encheram. Fazia frio, chovia, e todo mundo só queria saber de uma bebida quente.
Aí entrou uma senhora, no seu uniforme de caminhada, e pediu um café. Olhou em volta e não havia lugares. Tirei minha bolsa do meio da mesa e ofereci o outro assento. Ela agradeceu, disse que preferia sentar antes de derrubar todo o café.
E começou a falar. Disse que estava muito bem, muito feliz, estava conseguindo manter o peso desde a morte do marido, e refeições, qualidade de vida, bla bla bla. Eu me esforçando pra ser simpática enquanto ela desfiava seu rosário de amenidades de senhora classe-média-bem-pra-alta-de-Copacabana. Até que ela conta que fez duas faculdades, que enquanto fazia o clássico alguém arrumou uma vaga pra ela na Biblioteconomia...
Arregalei os olhos.
JURA?
Pois foi, menina! Então, eu fiz o terceiro ano do clássico junto com a Biblioteconomia, e fui ser bibliotecária lá na Presidente Vargas. E fui aluna do Afrânio Coutinho! E bla bla bla.
Em quinze minutos ela praticamente me contou a vida toda. Descobri que ela foi só mais uma da pá virada que não resistiu ao tradicional sepulcro das salas de leitura, foi fazer relações internacionais, viajou muito, conheceu o mundo, casou depois de dez anos morando junto e agora, às portas dos setenta, está muito de bem com a vida, obrigada. Mora no lugar de maior bochicho da Zona Sul - a duas quadras da minha casa. Diz que é da turma da melhor idade e já entra em tudo que é lugar brandindo a identidade, pedindo seu desconto e rindo pra vida que é boa e que merece ser vivida numa boa. E saiu pra comprar cigarro, já que ela tenta, tenta mas não consegue parar.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
As rosas não falam
E precisam?
Chego no trabalho hoje e descubro que é dia da secretária. Do secretário, justiça seja feita, até porque eu tenho um secretário.
Saio correndo pra comprar pelo menos umas flores.
E tenho a sorte de ter um florista top de linha ali, a 100 metros. Além de fazer um precinho bem camarada, os arranjos são do maior capricho. E eu consegui um buquê de rosas Greta e outro de rosas lilás. Já viram?
Pois ninguém tinha visto, e foi o maior frisson.
Chego no trabalho hoje e descubro que é dia da secretária. Do secretário, justiça seja feita, até porque eu tenho um secretário.
Saio correndo pra comprar pelo menos umas flores.
E tenho a sorte de ter um florista top de linha ali, a 100 metros. Além de fazer um precinho bem camarada, os arranjos são do maior capricho. E eu consegui um buquê de rosas Greta e outro de rosas lilás. Já viram?
Pois ninguém tinha visto, e foi o maior frisson.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Fábrica
Vou me devolver pra minha mãe.
Senão, vejamos a lista dos "defeitos de fábrica" que mereceriam um recall deste corpitcho (e de vários outros, se é que me consola):
Um sesamóide medial bipartido. Um não, dois, porque embora só tenha examinado um pé, suponho que o outro também o seja. Pra que serve um sesamóide medial? Pra pouca coisa além de indicar o grau de calcificação da criatura. A título de curiosidade, a patela (ex-rótula) também é um osso sesamóide, o maior do corpo humano.
Um acrômio exuberante, ou ganchoso. Esse é, na verdade, o osso da ponta do ombro, que, por um erro de cálculo, é bastante propenso a pinçar a complicada estrutura de cinco feixes de músculos ou tendões que compõe o ombro. Aí dói, oshhhh se dói.
Uma dermatite atópica. Facilmente confundível com qualquer pereba por aí, brotoeja, alergia, sarna ou sujeira mesmo... mas segundo o brilhante dermatologista, "nós temos cinco tipos de imunoglobulinas. A do tipo E deveria chamar-se B, de burra, porque ela ataca o que não existe, e é isso que está acontecendo com você". E essa porcaria sabe incomodar. E ficar feia. E coçar demais, até virar hematoma.
Pelo menos descobri que meus cuidados diários estão surtindo efeito, e se em mais nada a genética me favoreceu, pelo menos me deu uma carinha fofa que vale elogio até do dermato. Ele perguntou minha idade. Eu respondi, "29". Ele olhou por cima dos óculos: "Tem certeza?"
***
E nada a ver com nada, mas se alguém quiser ver um bicho impressionante, procura aí: liger, ou ligre. É um híbrido, geralmente estéril, de leão com tigresa. Ao contrário do tigon, filhote de leoa com tigre, o liger não tem o marcador que freia o crescimento e vira um animal assustadoramente grande. Perto dele, papai e mamãe viram quase bibelôs.
Senão, vejamos a lista dos "defeitos de fábrica" que mereceriam um recall deste corpitcho (e de vários outros, se é que me consola):
Um sesamóide medial bipartido. Um não, dois, porque embora só tenha examinado um pé, suponho que o outro também o seja. Pra que serve um sesamóide medial? Pra pouca coisa além de indicar o grau de calcificação da criatura. A título de curiosidade, a patela (ex-rótula) também é um osso sesamóide, o maior do corpo humano.
Um acrômio exuberante, ou ganchoso. Esse é, na verdade, o osso da ponta do ombro, que, por um erro de cálculo, é bastante propenso a pinçar a complicada estrutura de cinco feixes de músculos ou tendões que compõe o ombro. Aí dói, oshhhh se dói.
Uma dermatite atópica. Facilmente confundível com qualquer pereba por aí, brotoeja, alergia, sarna ou sujeira mesmo... mas segundo o brilhante dermatologista, "nós temos cinco tipos de imunoglobulinas. A do tipo E deveria chamar-se B, de burra, porque ela ataca o que não existe, e é isso que está acontecendo com você". E essa porcaria sabe incomodar. E ficar feia. E coçar demais, até virar hematoma.
Pelo menos descobri que meus cuidados diários estão surtindo efeito, e se em mais nada a genética me favoreceu, pelo menos me deu uma carinha fofa que vale elogio até do dermato. Ele perguntou minha idade. Eu respondi, "29". Ele olhou por cima dos óculos: "Tem certeza?"
***
E nada a ver com nada, mas se alguém quiser ver um bicho impressionante, procura aí: liger, ou ligre. É um híbrido, geralmente estéril, de leão com tigresa. Ao contrário do tigon, filhote de leoa com tigre, o liger não tem o marcador que freia o crescimento e vira um animal assustadoramente grande. Perto dele, papai e mamãe viram quase bibelôs.
domingo, 27 de setembro de 2009
Talk to me
Coisa mais chata é gente que não responde.
Em qualquer circunstância. MSN, Gtalk, na rua, por e-mail.
Sem querer ou deliberadamente, é um saco.
Em qualquer circunstância. MSN, Gtalk, na rua, por e-mail.
Sem querer ou deliberadamente, é um saco.
sábado, 26 de setembro de 2009
Vício
Cada vez mais difícil me tirar de casa.
Não bastasse o encontro diário com o Dr. House - e duplo, nas quintas - ainda temos ER quartas à noite. Tudo bem que o House eu ainda driblo porque, afinal das contas, nada que uma reprise não faça pela gente, seja na tevê mesmo ou no DVD. Mas o ER... temporada final... affe que dor perder um capítulo. O mesmo vai começar a acontecer com o House, temporada nova começando mês que vem. Me esqueçam.
Mas agora que eu estava praticamente curada do vício do Campo Minado e do Mahjong... vem meu irmão com os gamezinhos do Facebook. Ai céus.
Não bastasse o encontro diário com o Dr. House - e duplo, nas quintas - ainda temos ER quartas à noite. Tudo bem que o House eu ainda driblo porque, afinal das contas, nada que uma reprise não faça pela gente, seja na tevê mesmo ou no DVD. Mas o ER... temporada final... affe que dor perder um capítulo. O mesmo vai começar a acontecer com o House, temporada nova começando mês que vem. Me esqueçam.
Mas agora que eu estava praticamente curada do vício do Campo Minado e do Mahjong... vem meu irmão com os gamezinhos do Facebook. Ai céus.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Smack that
Para os infernos com a rinite que me inutilizou o dia todo.
A fartura desta casa era mais importante... "fartava" tudo. Até o papel higiênico para a maledeta não inundar a casa com coriza.
Fui pra rua. E gastei uma dinheirama comprando várias coisas de que precisava, mas não a que eu realmente queria.
Só no fim, na última parada, um sanduíche ao som de Smack That.
A fartura desta casa era mais importante... "fartava" tudo. Até o papel higiênico para a maledeta não inundar a casa com coriza.
Fui pra rua. E gastei uma dinheirama comprando várias coisas de que precisava, mas não a que eu realmente queria.
Só no fim, na última parada, um sanduíche ao som de Smack That.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
For Emily, whenever I may find her
Não sou daquelas pessoas que vão levar grandes lições de vida e de moral do pai. Na verdade, nem tenho certeza se quem gostava de Simon e Garfunkel lá em casa era ele ou minha mãe. Mas não vem ao caso; só falei nisso porque quase desidratei hoje lendo o último livro do John Grogan, o pai do Marley, e é um livro de memórias principalmente sobre a relação dele com os pais. Também não sei se o cara é outro Markus Zuzak com pena mágica pra me fazer chorar ou eu é que estou mesmo totalmente fora de controle - o que é beeem mais provável, visto que são três e meia da manhã e estou aqui, fiscalizando os downloads e tentando instilar colírio nos olhos desconfortáveis de tão salgados pelo dia inteiro.
Mas o download que vim conferir é de uma música que por um desses estranhos desígnios sempre me foi muito cara. E diz Simon, o compositor, que não é sobre uma pessoa, mas sobre fé:
"For Emily, Whenever I May Find Her" is a song written by Paul Simon. It is the tenth track on Simon and Garfunkel's 1966 album by Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, where it is sung by Art Garfunkel.
Paul Simon has said that the song is not about an imaginary girl Emily, but about a belief, while the song "Overs" (from the album Bookends) is about the loss of that belief. (da Wikipedia)
Ocorre que eu nunca tinha ouvido falar desse álbum. Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, ervas da feira de Scarborough. Mas ouvi muitas, muitas vezes, na minha pré-adolescência, Emily saindo das execuções do Greatest Hits, o vinil afanado na maior cara de pau pelo vizinho junto com tantos outros. E lembro-me perfeitamente que a versão do bolachão NÃO ERA ao vivo, ao contrário do que a própria Wikipedia diz. Sei disso porque também lembro da minha alegria ao encontrar o CD, muitos anos depois, e da decepção de ouvir aquelas palmas antes da música, sempre tão bucólica na voz pequena e suave de Art Garfunkel, ainda mais aquecida pelo barulhinho da agulha no vinil.
E só os deuses sabem o quanto eu penei pra achar a tal música, simplesmente por não ter procurado o disco original antes. Tá aqui. Três e meia da madrugada de segunda e estou novamente chorando com ela, que um youtubenauta classificou como uma das mais belas músicas que ele já tinha ouvido. Mas se puderem, ouçam a original. A diferença é quase nula, mas é enorme:
What a dream I had
Pressed in Organdy
Clothed in crinoline
Of smoky burgundy
Softer than the rain
I wandered empty streets down
Past the shop displays
I heard cathedral bells
Tripping down the alleyways
As I walked on
And when you ran to me
Your cheeks flushed with the night
We walked on frosted fields
Of juniper and lamplight
I held your hand
And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears
Oh,I love you girl
Oh,I love you
Mas o download que vim conferir é de uma música que por um desses estranhos desígnios sempre me foi muito cara. E diz Simon, o compositor, que não é sobre uma pessoa, mas sobre fé:
"For Emily, Whenever I May Find Her" is a song written by Paul Simon. It is the tenth track on Simon and Garfunkel's 1966 album by Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, where it is sung by Art Garfunkel.
Paul Simon has said that the song is not about an imaginary girl Emily, but about a belief, while the song "Overs" (from the album Bookends) is about the loss of that belief. (da Wikipedia)
Ocorre que eu nunca tinha ouvido falar desse álbum. Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, ervas da feira de Scarborough. Mas ouvi muitas, muitas vezes, na minha pré-adolescência, Emily saindo das execuções do Greatest Hits, o vinil afanado na maior cara de pau pelo vizinho junto com tantos outros. E lembro-me perfeitamente que a versão do bolachão NÃO ERA ao vivo, ao contrário do que a própria Wikipedia diz. Sei disso porque também lembro da minha alegria ao encontrar o CD, muitos anos depois, e da decepção de ouvir aquelas palmas antes da música, sempre tão bucólica na voz pequena e suave de Art Garfunkel, ainda mais aquecida pelo barulhinho da agulha no vinil.
E só os deuses sabem o quanto eu penei pra achar a tal música, simplesmente por não ter procurado o disco original antes. Tá aqui. Três e meia da madrugada de segunda e estou novamente chorando com ela, que um youtubenauta classificou como uma das mais belas músicas que ele já tinha ouvido. Mas se puderem, ouçam a original. A diferença é quase nula, mas é enorme:
What a dream I had
Pressed in Organdy
Clothed in crinoline
Of smoky burgundy
Softer than the rain
I wandered empty streets down
Past the shop displays
I heard cathedral bells
Tripping down the alleyways
As I walked on
And when you ran to me
Your cheeks flushed with the night
We walked on frosted fields
Of juniper and lamplight
I held your hand
And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears
Oh,I love you girl
Oh,I love you
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