domingo, 14 de junho de 2009

As time goes by

Há coisas para as quais realmente o tempo é o melhor - senão o único - remédio.
Eu lembro de quando tentei ler Borges pela primeira vez. Primeiranista de biblioteconomia, me sentia praticamente na obrigação de conhecer mais do autor da famosérrima "Biblioteca de Babel". Mas as suas Ficções me pegaram pelo colo e me levaram direto ao encontro de Morpheus.
Com Gabo foi a mesma coisa. Embalada pelo quase-pop "Crônica de uma morte anunciada", achei que ia engrenar os "Cem anos de solidão", que continuaram amargando a solidão sem minha leitura durante um bom tempo.
Mas eis que, como diz o nosso bom bibliotecário argentino, o que não falta ao tempo são dias. E eles passaram. E dei de cara de novo com os Cem Anos, quase dez anos depois. Aí sim, fui tragada pela história e pronto, "O Amor nos tempos do Cólera" veio na esteira.
Agora é a vez de Borges ocupar o outro lado da minha cama, desta vez com o "Livro de Areia". E mal vejo a hora de encontrar as Ficções novamente.
Talvez daqui a pouco a chance de Joyce e seu Ulisses chegue. Mas assumo, como boa bibliotecária e seguidora de Ranganathan, que não li e não pretendo ler José de Alencar.

sábado, 13 de junho de 2009

Stars

Passo um creme novo no corpo depois do banho. O cheiro dele combina com o do sabonete; são da mesma marca. Espalho o creme, e vou para a cama.
Té que demorou pra ela aparecer de novo por estas plagas. Mas o combo Rivo 1mg + Resfenol + chazinho de cidró sucumbiu ao poder de Salvatore Ferragamo e sua sparkling lotion.
Não é a filosofia do livro que me chama a atenção. Estou embriagada pelo cheiro. Procuro reconhecê-lo em mim, em meu ombro, nas minhas mãos, nas pernas, na dobra dos cotovelos, e em nenhum lugar ele é igual a quando estou imóvel, lendo. Fiquei aqui, que nem o perfumista medieval do romance, me consumindo e me tragando a cada golfada de ar, descobrindo novidades em cada dobra da pele, aspirando o cheiro e tentando transformá-lo em indelével impressão, memória laboriosa fixa feito tatuagem ou tiro à queima-roupa.
E então eu as vejo. Incontáveis e pequeninas partículas brilham em cima de mim. Laranjas, rosas, quase verdes, amarelas, vermelhas, brancas. Miríades de pontos de luz e odor sobre todo o meu corpo. A filosofia se perdeu em alguma dessas constelações...
Enquanto isso, ventoinhas a mil.
Decifro-me ou me deixo devorar?
Sou tantas. Várias. Múltiplas. Fera, bicho, anjo, mulher, mãe, filha, irmã, menina, transeunte, vizinha, desconhecida, todas minhas e muito minhas. Fazendo escândalo, pintando as unhas, doendo o corpo, ninando a pelúcia, lendo desbragadamente como quem fuma. Vícios, vícios.
Belos tintos maduros, frescos brancos joviais, trigais, amanheceres e pores de sol.
Cores.
E as flores, morrendo ou sempre-vivas.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pain

Mas por Tutatis e Belenos, como doi.
Não quero mais dessa vida.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Psycho killer

E lá vem ele. Carpinejando e me arrasando na sexta de noite.

"Homem tem atitudes suspeitas e superstições incontroláveis. Gosta de brigar por mais que desminta e alerte que não suporta discussões. A provocação é uma prova de intimidade. A gente agride apenas quem é capaz de nos perdoar.
Ao contrário do que as mulheres insistem em comentar, o homem não é linear - tentamos preservar essa reputação para não nos complicar. Não fará testes para conferir se é amado ou se é gostoso ou se transa bem ou se vem sendo correspondido, justo porque não aceita o fracasso. Colaria as respostas invertendo a página.
Ele não pergunta toda hora se ela realmente o ama, o que não significa que não é inseguro. Não cria beiço durante o desaforo por pura falta de prática, logo desliza na careta.
Os testes masculinos são de outra ordem. Daquilo que posso chamar de terrorismo psicológico."

sábado, 30 de maio de 2009

Fairytale

(Sorry. Ando com problemas de hardware, por isso o silêncio)

"Os contos de fada são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: 'era só um conto de fadas...' E a gente sorri de si mesmo. Mas, no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida."

Saint-Exupéry ainda deixou essa pérola para que eu lesse justo essa semana...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A thousand miles

E um ano a mais depois...
mil coisas na cabeça.
Veinte y nueve.
I-nove.
Será que consigo?


***
Aí chego em casa e recebo um cartão da ABS.
"Por mais raro que seja, ou mais antigo,
só um vinho é deveras excelente;
aquele que tu bebes, docemente,
com teu mais velho e silencioso amigo".

Dizem que é do meu véinho, mas vai saber...
Alguns acrescentariam "e no gargalo".

domingo, 3 de maio de 2009

Outono em Porto Alegre

(O Gessinger é foda. Pode ser um chato de carteirinha, mas tem título mais perfeito pro que quero agora do que esse?)

Enfim.
Outono em Porto Alegre é isso: dias mornos, confortáveis, de céus azuis e sóis amarelos, um quê de colo de mãe em tudo que é lugar, uma cor de acolhimento, barulho de casa e cheiro de roupa recém lavada.
Outono em Porto Alegre também é de noites coloridas, escondidas na escuridão, esmaecidas pelo leve nevoeiro, aquecidas pelas mantas leves, abotoadas nos casacos que saem dos armários, encolhidas nas cobertas que começam a afofar as camas, vaporizadas pelos chuveiros de onde sai a água morna-mais-pra-quente, revigoradas pelas taças de vinho e pelas fortes cervejas que só aqui é que se sabe apreciar.
Outono é preguicinha, beleza, leveza e tranquilidade. Bem ao gosto das sete cidades da milonga, bem a cara dos campos que se vê antes de passar por cima do Guaíba, bem crepúsculo pintado pra nós por um São Pedro parcial pra caramba, chimarrão e bolachinhas, ou chocolates, ou qualquer outro gosto de calma e placidez. Conforto. Serenidade.