Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Olhar 43

É aquilo, né?
Uma semana do cão. Mil coisas ao mesmo tempo - um teste de malabarismo, de competência ou de paciência?
Um alien saindo no queixo. Um não, vários. Um só é maior do que os outros, mas são todos de estimação. Malditos hormônios. Maldita tpm.
A solidão batendo - misto dela de verdade e dessa desgraça feminina mensal.
Aquela sensação de workaholismo tomando conta.
A dúvida se se fez a escolha certa. Se não era muito cedo.
Se eu não devia ter comprado chocolate. Ou um prosecco.
Mas na falta do que se entristecer, a gente sempre acha algo pra celebrar.
É aniversário da minha irmã favorita, aquela que pude escolher. Tão irmã que até brigar a gente brigou.
Tenho boas notícias da minha aceitação, do meu trabalho.
Se não tenho com quem comemorar, faço isso sozinha.
Como disse uma moça na Ana Maria Braga essa semana, "bem que eu queria um companheiro, uma cara-metade. Mas metade por metade, fico sozinha que sou inteira".
Compro uma super promoção das quatro temporadas do House.
E abro meu Miolo Lote 43 safra 2004, o melhor vinho brasileiro. Eu mereço.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Blues da piedade

Vamos pedir piedade, Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde


Senhor, piedade pra essa gente que não consegue enxergar o outro. Que não sai da própria miséria. Que esquece de olhar pra cima, pros lados, ao invés de olhar só pro seu umbigo. Ou, pior, aquela gente que não olha no espelho.
Piedade para os incapazes de compreender, de perdoar, de viver em paz. Piedade aos incapazes para a paz.
Tenho pena dos que se julgam injustiçados, dos que se entrincheiram no sofrimento, na auto-indulgência e na crítica severa. Lamento pelos que não conseguem olhar com o olhar do outro, partilhar sua experiência, dar as mãos, encostar as vidas.
Piedade para aqueles que nem diante da perda perdem a soberba e a estupidez e permanecem lá, impávidos e impassíveis, estátuas de gelo, sal e amargura, eternamente apartados do sentimento alheio. Piedade para os inconscientes da solidão humana - todo homem é uma ilha, todo mundo mente, o homem nasce como morre: só.
Piedade para os mais sozinhos que os solitários, os encarcerados da própria verdade, os insensíveis, os idiotas, os grosseiros, os estúpidos, os fracos, os acossados pela pura babaquice, os que nem sabem que sofrem tanto por não se permitirem tocar pelo alívio da normalidade, da humanidade e do bem-estar.
Senhor, piedade para esses covardes, os que se auto-flagelam, os que um dia ainda vão acertar contas consigo mesmos, os que negam o consolo diante da morte, os que não vêem que a sua própria morte um dia vai chegar.
E então, quem estará lá além da sua besta interior?

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Smooth criminal

Ouié, eu estou te vendo...

Can you feel it?

E óbvio que a imprensa em geral continua chafurdando da morte do Michael Jackson. Tão cedo, o coitado não descansa.
Mas agora é que está aparecendo o que eu sempre desconfiei: era só uma criança grande. Repito: um Mozart pós-moderno, que não teve tempo nem dinheiro pra brincar quando pequeno e que aproveitou fama e fortuna pra, literalmente, escolher não crescer nunca mais na Terra do Nunca. Um adulto que se divertia pulando de roupas na piscina, atirando balões de água, disparando revolvinhos d´água e ganhando elefantes de presente.
Todo gênio tem algo de perturbador, enigmático, melancólico, trágico.

Vício

Vícios são uma merda mesmo.
Muitos anos depois, eles voltam a nos atormentar.
Fiquei muito tempo contida no campo minado...
mas aí fui obrigada a trocar de sistema operacional.
E com ele voltei ao Mahjong.
E viva a grana em acupuntura que vou gastar em breve.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Living on my own

Eu só queria entender que tipo de direito um cidadão se dá de tomar a vida de outro como se fosse uma posse, uma propriedade, um brinquedo.
Eu só queria saber como é que uma pessoa acha que pode simplesmente ditar as regras pelas quais o outro vai se pautar.
Não sei que tipo de vida adulta é essa em que uma pessoa pensa que deixa ou não o outro fazer o que bem entende. Como alguém já me disse há muito tempo, não há nada que um ser humano adulto não queira fazer que não faça. O problema é que o mulherio, em geral, acaba cedendo daqui e dali e quando vê, não precisa nem de coleira: a pecha de escrava pós-moderna já se instalou e pra sair da gaiola, só com revolução civil.
Às vezes me pego sentindo falta dum carinho, dum afeto, dum simples ficar junto sem fazer nada, ouvindo o silêncio, ou vendo uma bobagem na tevê, ou lendo, ou qualquer coisa, falar ao telefone, contar as novidades... mas a simples possibilidade duma coleirinha chegando perto já me cobre de paúra. Roberto Freire é que sabia das coisas, e podia ter escrito "A maçã", do Raul Seixas, sem problema algum. Amar de verdade e deixar o outro ser o que é pode ser difícil, mas é recompensador. E não esgota nunca aquela duvidazinha de "o que será que ele tem pra me contar hoje". Ser cúmplice, e não algoz, é uma delícia.

Paraíba mulher macho

Amigo meu vendo minhas fotos com jacarés e piranhas a rodo:
- Bah, Lu, tu é muito macho. Eu tinha me borrado todo.